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Fiz R$ 100k em 92 dias com um app que a IA escreveu em 3.

A parte que não cabe no print: uma falência, 20 anos de bagagem e o que a IA não faz por você.

No começo deste ano, eu estava falido. Uma série de investimentos malsucedidos me deixaram com 3 meses de reserva de emergência.

Mas eu tinha dois planos, e compartilhei os dois no Instagram. O plano A era o óbvio: voltar pro mercado de trabalho. O plano B era construir um SaaS, mesmo sem saber ainda qual.

Nunca precisei buscar emprego, eles sempre vieram do meu networking ou de indicação, famoso QI. Pela primeira vez em 20 anos, fui atrás de emprego do jeito convencional. Dessa vez eu fui mandar currículo como todo mundo. Em parte por vergonha de ter quebrado. Em parte por teimosia de querer empreender de novo e “não querer" arrumar um emprego. Era uma sabotagem, eu sei.

Foi o plano A que fez o plano B brilhar. Correndo atrás de vaga, ficou claro o que valia a pena construir. Botei a IA pra trabalhar e em 3 dias o produto estava no ar.

No dia 03 de fevereiro, a Karvi (na época, DevProfile) faturava R$ 0. No dia 92, tinha somado R$ 100k. Bem mais rápido do que eu esperava. Sozinho, sem sócio, sem time, sem investidor.

Eu sei como isso soa: mais um print de “fiz um SaaS em 3 dias com IA”. Então deixa eu contar a parte que não cabe no print.

20 anos em 3 dias

Os “3 dias” são verdade. Mas eles montaram em cima de 20 anos que não aparecem no print.

Eu não comecei do zero. A base eu já tinha de outros produtos meus no ar: login, pagamento, o gateway de IA, tudo testado em produção. Os 3 dias foram pra construir o que era novo, não pra refazer o que eu já tinha resolvido dez vezes.

Eu sei dirigir a IA. Largada sozinha, ela te entrega um protótipo bonito que cai na primeira esquina. Quando ela me dava o caminho complicado, eu jogava fora e mandava simplificar. Quando ela queria sair arquitetando, eu parava e validava com dado real antes. Vinte anos viraram isso: saber o que pedir e farejar quando a resposta veio torta.

E sei o que não construir. Metade da velocidade é cortar. A feature que parece óbvia mas não move ponteiro, a integração que todo mundo colaria só porque dá, o atalho que cobra juros lá na frente: disse não pra todas. Isso não vem no tutorial, vem de ter errado por muito tempo.

E mesmo com 20 anos nas costas, os 3 dias foram só o pontapé. Vieram três meses de caverna, 18 horas por dia, olhando número e ajustando o produto. Sem fim de semana, sem muito descanso.

A ideia que eu não tive que procurar

Eu não achei a ideia, eu era o cliente.

Buscando emprego, esbarrei na minha própria dor: meu LinkedIn estava abandonado. Largado, sem graça, sem dizer nada do que eu sabia fazer, bem na hora em que era ele que ia me abrir ou fechar portas.

A maioria dos devs faz o contrário: passa meses caçando “a ideia genial”, um problema que nem vive. Eu não precisei de pesquisa de mercado pra saber que aquilo valia: eu mesmo pagaria pra alguém resolver se eu não soubesse. Eu ajudei, por anos, muitos alunos da Codar.me a resolver isso também.

E essa é a parte que a IA não faz por você. Ela escreve o código em horas. Mas qual problema vale a pena resolver, isso ela não sabe, quem sabe é quem tá vivendo ele.

Lançar feio no dia 3

Com a dor certa em mãos, o próximo erro seria sumir seis meses caprichando antes de mostrar pra alguém. Isso tem nome: Build Trap. Você se convence de que falta “só mais uma feature”, e o tempo evapora. No fim, o produto tá lindo e ninguém usa.

Lancei no dia 3. Feio, incompleto, com vergonha de mostrar, sem pagamento por pix, só cartão. No primeiro dia, entraram R$ 2.500.

E não estava nem perto de pronto. Mas feature não é progresso, progresso é alguém usando seu app e tirando dinheiro do bolso. Cada dia que você segura o lançamento é mais um dia de achismo não testado.

O mercado corrige o que você não vê

Tem uma frase que eu repito: nenhum projeto sobrevive ao primeiro contato com o usuário. Você acha que sabe o que as pessoas querem, até elas botarem a mão no produto.

Por isso instrumentei tudo desde os primeiros dias, antes de ter volume pra medir. Eu precisava ver o que as pessoas faziam de verdade no produto. O que eu imaginava sozinho quase nunca batia.

Foi assim que achei o vazamento. O faturamento total subia e parecia ótimo, mas a conversão por device contava outra história: no desktop a pessoa convertia bem (16-18%), no mobile bem menos, menos de 5%. Eu calculei que deixei de ganhar R$ 16k nos dois primeiros meses. Eu estava pagando pra trazer gente boa e travando ela na porta.

Então, arrumei o onboarding no mobile, só isso. A segunda metade dos R$ 100k entrou na metade do tempo da primeira.

O que eu levo dos primeiros 100k

Plano B virou plano A. De falido a R$ 100k em 92 dias, sozinho.

Se você é dev e tira uma coisa daqui, que seja essa: a IA não escolhe a sua dor, não lança no seu lugar, e não lê o que o mercado te responde.

Constrói o que você mesmo precisa. Lança antes de achar que está pronto, e deixa o mercado te corrigir, que o resto, a IA acelera.

Os R$ 100k já ficaram pra trás enquanto eu escrevia isto, e a régua já se moveu de novo.

Mas tem uma armadilha em deixar a IA preencher os espaços por você: sem os teus fatos, ela não trava. Inventa o que é mais provável (essa é a natureza dela) e escreve com a confiança de um especialista, mesmo errando feio. Foi isso que me fez construir a Karvi de um jeito bem específico. Mas essa história fica pra próxima.

Até a próxima, Bruno

P.S: Tá travado em qual problema resolver, ou com medo de lançar antes de estar pronto? Me responde esse e-mail ou comenta aqui a tua dúvida. Eu leio todas, e as melhores podem virar assunto de alguma edição.

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